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Ibovespa fecha em queda após S&P rebaixar Brasil

PUBLICADO EM: 10.9.15 | 18H12
A Bovespa fechou com o seu principal índice em queda nesta quinta-feira, pressionado pelo declínio das ações da Petrobras e de bancos
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BM&FBovespa: o Ibovespa recuou 0,33%, a 46.503 pontos

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São Paulo - A Bovespa fechou em leve queda nesta quinta-feira, após a Standard & Poor's retirar o selo de bom pagador do país, com compras em busca de barganhas e a alta de ações de empresas que se beneficiam do avanço do dólar amortecendo a pressão negativa.

O Ibovespa recuou 0,33 por cento, a 46.503 pontos, pressionado particularmente pelo declínio das ações da Petrobras e de bancos. O giro financeiro totalizou 7,87 bilhões de reais.

A agência de classificação de risco S&P cortou na quarta-feira, após o fechamento dos mercados, o rating do país para "BB+" ante "BBB-" e sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo.

A reação do Ibovespa se mostrou mais leve do que muitos agentes no mercado previam. A mínima do dia ocorreu no início do pregão, com queda de 2,3 por cento, e teve duração curta.

Agentes financeiros destacaram que o rebaixamento em si era esperado, particularmente após a proposta orçamentária para 2016 prever um rombo inédito. A surpresa foi o momento da decisão e a manutenção da perspectiva negativa.

Entre os suportes para a relativa resiliência do Ibovespa, o destaque ficou para a avaliação da Fitch Ratings de que ainda há elementos que apóiam o grau de investimento do Brasil.

Mas ainda expectativa de que mais alguma agência de rating tirar o grau de investimento do país, o que obrigaria vários fundos estrangeiros a desmontarem suas posições no Brasil.

No início da tarde, o Ibovespa chegou a subir 0,34 por cento, em meio a expectativas de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, trouxesse novidades sobre medidas para um ajuste fiscal mais rigoroso em coletiva à imprensa. Sem novidades, a fala de Levy frustrou o mercado.

Os estrategistas de mercados emergentes do UBS Geoff Dennis e Howard Park afirmaram que, normalmente, um rebaixamento do rating é visto como a última fração de más notícias e uma oportunidade compra, mas que esse não é o caso atual do Brasil.

"Com a economia brasileira contraindo acentuadamente, o consenso político para reformas desgastado, o ímpeto dos resultados corporativos enfraquecendo e o real ainda sob pressão, é provável que existam mais más notícias à frente", afirmam em relatório.

Próximo do fechamento, a S&P divulgou o corte dos ratings de várias empresas brasileiras, entre elas Petrobras, para "BB", com perspectiva negativa, enquanto Vale teve sua nota mantida.

Agora, duas das três principais agências de risco classificam a nota de crédito da Petrobras com grau especulativo.

Destaques

Petrobras fechou com as preferenciais em queda de 5,01 por cento e os papéis ordinários com recuo de 3,82 por cento. A equipe da corretora Brasil Plural destacou que o impacto da perda do grau de investimento é ruim para todo o mercado acionário, mas pior para a Petrobras, uma vez que a empresa é conhecida por ter seu rating apoiado muito mais pela nota soberana do que por sua operação. Além de potencial maior dificuldade para acessar o mercado de dívida externa, a Brasil Plural diz que há risco de credores tentarem antecipar o pagamento de dívidas da companhia. A pressão na taxa de câmbio também eleva o custo de importação de petróleo e combustível.

Bradesco caiu 2,16 por cento e Itaú Unibanco perdeu 2 por cento, com o setor bancário entre os mais sensíveis a mudanças de ratings. Banco do Brasil reduziu as perdas no final do pregão para apenas 1,75 por cento, enquanto Santander Brasil reverteu a queda da abertura e fechou em alta de 2,66 por cento.

Smiles desabou 9,57 por cento, em meio a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, segundo a qual o fundo de private equity Carlyle, controlador da CVC, está em contato com investidores para a venda de sua participação na agência de turismo e o principal interessado seria o programa de fidelidade Smiles. De acordo com jornal, a Smiles nega a negociação. GOL , que controla o Smiles, caiu 5,09 por cento.

Vale terminou com os papéis preferenciais de classe A em alta de 4,17 por cento, enquanto as ações ordinárias avançaram 4,62 por cento, com a decisão da S&P ofuscada pela alta dos preços do minério de ferro no mercado à vista da China para a máxima de 10 semanas e pelo fortalecimento do dólar frente ao real.

JBS ganhou 3,30 por cento e Embraer avançou 2,19 por cento, ambas beneficiadas pela valorização do dólar, que no pior momento chegou a superar 3,90 reais. Mesmo com o alívio na alta após atuação Banco Central, o movimento no câmbio também contagiou os combalidos papéis de siderúrgicas, com Usiminas à frente, em alta de 12,77 por cento. No setor de papel e celulose, que também é ajudado pelo dólar elevado, o destaque foi Suzano, com ganho de 2,28 por cento.

Copel avançou 4,85 por cento, uma vez que se trata de uma das beneficiadas pela decisão do plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) na quarta-feira, que revogou medida cautelar que impedia o Ministério de Minas e Energia de renovar, sem licitação, os contratos de concessão de 39 distribuidoras de energia elétrica que vencem entre 2015 e 2017.

Texto atualizado às 18h12


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