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Ibovespa fecha em queda com temores sobre 2ª onda de coronavírus

PUBLICADO EM: 11.5.20 | 17H20
ATUALIZAÇÃO: 11.5.20 | 17H52
Possível segunda onda de contaminação assusta investidores e pesa contra bolsas globais

Bolsa: Ibovespa cai 1,49% e fecha em 79.064,60 pontos. (NurPhoto via Getty Images)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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A bolsa brasileira fechou em queda nesta segunda-feira, 11, pressionada pela incerteza sobre o afrouxamento das quarentenas, após registros de novos surtos de coronavírus covid-19 em países que iniciaram processos de reabertura econômica, como Alemanha, China e Coreia do Sul. O Ibovespa, principal índice de ações, caiu 1,49% e fechou em 79.064,60 pontos.

“O aumento de casos em lugares que, até então, estavam com a doença controlada gera toda uma incerteza sobre a reabertura das economias, que é um ponto em que o mercado financeiro está muito focado”, afirmou Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

Na Coreia do Sul, tida como um dos países que melhor atuaram no combate à pandemia, o governo voltou a fechar bares e baladas, após um bairro conhecido por sua vida noturna se tornar o novo foco da doença em Seul. Com o aumento da contaminação, a Coreia também adiou a reabertura das escolas.

No cenário interno, a prorrogação e a intensificação das quarentenas teve repercussão negativa. “A preocupação de que futuros lockdowns, como iniciado no Rio de Janeiro, possa arrefecer ainda mais a economia também pesa nos players domésticos”, disse, em nota, Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

O campo político também esteve no foco dos investidores, com a expectativa de que o presidente Jair Bolsonaro vete do pacote de auxílio aos estados e municípios a possibilidade de reajuste salarial aos servidores públicos. Mas, segundo Ribeiro, a dúvida sobre se Bolsonaro irá ou não vetar o trecho pressionou a bolsa para baixo. 

Na semana passada, o líder do governo, Major Vitor Hugo, chegou a afirmar que os parlamentares seguiram as orientações do presidente ao descongelarem os salários dos servidores. O discurso fez surgir rumores sobre a saída de Paulo Guedes do ministério da Economia, visto que o congelamento dos salários era a única contrapartida que pediu. 

No início da tarde, o Ibovespa chegou a virar para leve alta, após as falas do governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, sobre uma reabertura parcial animar o mercado americano. De acordo com ele, três regiões do norte do estado estão prontas para serem parcialmente reabertas ainda nesta semana. Na cidade de Nova York, no entanto, as medidas de isolamento social devem permanecer, pelo menos, até junho, segundo o prefeito Bill de Blasio. Por lá, o S&P 500 fechou praticamente estável.

Na Europa, a preocupação com uma possível segunda onda da doença fez os principais índices acionarem encerrarem em queda. O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 0,42%.

Destaques

Na bolsa, o destaque positivo ficou com as ações da BRF, que disparam 11,26%, depois de a empresa ter divulgado o balanço do primeiro trimestre, em que reporta redução do prejuízo líquido em 96,2% em relação ao mesmo período do ano passado, para 38 milhões de reais. Além disso, a empresa também havia informado, após o fechamento do pregão de sexta, 8, que fechou as condições para a aquisição da empresa saudita de processamento de alimentos Joody Al Sharqiya Food Production Factory.

No campo negativo, as ações do IRB Brasil caíram 9,52% e lideraram as perdas do Ibovespa, após a empresa informar que será alvo de uma fiscalização especial por parte da Superintendência de Seguros Privados (Susep) devido à "insuficiência na composição dos ativos garantidores de provisões técnicas". "Isso gera incertezas para os investidores do IRB", disse Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos. Em fevereiro deste ano, a gestora Squadra apontou supostas inconsistências nos balanços da companhia.

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