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Mercado ignora alta do número de casos e foca em vacinas contra Covid-19

PUBLICADO EM: 5.8.20 | 8H38
ATUALIZAÇÃO: 5.8.20 | 15H39
Atenção dos investidores se voltam para resultados de testes da Pfizer, AstraZeneca e Moderna
Vacina coronavirus moderna

Potencial vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Moderna

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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Os novos casos de coronavírus registrados no Estados Unidos já não têm o mesmo impacto de meados de julho, quando a divulgação do número de infectados em alguns estados americanos tinha o poder de fazer as bolsas do mundo passarem por um súbito movimento de queda.

De acordo com o site de estatísticas Worldometers, o país registrou, nesta terça-feira, 4, mais 54.504 infectados pela doença, com a média móvel de 7 dias ainda se mantendo na casa dos 60.000 – quase o dobro do registrado no primeiro pico da doença nos EUA, em abril, quando a máxima da média móvel chegou a 32.741 infectados por dia.

Somente no Texas registrou, na terça, 11.210 novos casos – número é o terceiro maior já registrado no estado, que é o segundo que mais contribui para o PIB americano. Mesmo assim, o evento passou batido pelas mesas de operações. Ao todo, os EUA registraram 4.918.420 infectados e 160.290 mortos pela doença.

“O aumento do número de casos já não está mais fazendo preço como há um mês. Os contágios vão continuar aparecendo. Mas o estágio de sofrer com isso já passou”, disse Bruno Madruga sócio da Monte Bravo.

O alívio sobre os impactos do coronavírus no mercado também foi constatado pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM. No último boletim de mercado, a autarquia relatou redução dos efeitos da Covid-19 e maior apetite por risco por parte dos investidores.

“Ao longo do mês de junho, foi possível observar a manutenção na recuperação para a maior parte dos indicadores representativos de ativos de risco. Isso sinaliza que o choque de volatilidade causado pela pandemia da Covid-19 nos mercados financeiros já está mitigado, ao menos por agora", afirmou Bruno Luna, Chefe da Assessoria de Análise Econômica e Gestão de Riscos da CVM.

Nos Estados Unidos, o índice VIX, que mede a volatilidade do mercado de opções americano encerrou o pregão de terça na mínima desde fevereiro, em 24,46. Na manhã desta quarta, o VIX segue em queda, caminhando para renovar a marca. Desde março, quando o índice VIX bateu 85,47 pontos, sua queda já supera os 70%.

Mas embora os novos casos de Covid-19 já não tenham o mesmo impacto sobre o mercado como antes, a pandemia segue no radar, com as atenções voltadas para os avanços da vacina. “É notável que a pandemia já é um evento conhecido e precificado por investidores. Mas na minha visão, o coronavírus ainda está afetando os mercados, e isso é visível em situações em que notícias positivas sobre vacinas geram reações positivas em valuations”, afirmou Renato Mimica, diretor da Exame Research.

Por outro lado, não é qualquer vacina anima o mercado. Na segunda-feira, por exemplo, quando a Rússia anunciou que irá começar a vacinação em massa de sua própria vacina a partir de outubro, o principal índice de ações do mundo, o americano S&P 500, fechou em uma tímida alta de 0,72% – mas com foco nos estímulos americanos. Os avanços da vacina da desenvolvida pela China tampouco têm animado os investidores.

“O mercado tem certa desconfiança sobre as vacinas da China e da Rússia e está mais focado nos resultados dos testes das desenvolvidas pelos EUA e Reino Unido. O mercado já está precificando que essas vacinas vão sair ainda em 2020. Se os resultados dos testes forem positivos, o mercado reage bem e parte para outro assunto: as eleições americanas”, disse Madruga.

Tanto as vacinas desenvolvidas nos Estados Unidos, pela Pfizer e Moderna, quanto a britânica, encabeçada pela AstraZeneca, estão na terceira e última fase de testes, mas ainda não há data sobre quando serão efetivamente lançadas. Em meio à corrida pela vacina, no ano, as ações da Moderna já subiram 301%, e as da AstraZeneca, 13%. A Pfizer, que é a maior entre elas e menos dependente do sucesso da vacina, acumula leve queda de 2% em 2020.

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com


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