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Rede Energia ganha com expectativa de que presidente venda fatia

PUBLICADO EM: 22.12.11 | 11H04
A taxa dos US$ 496,6 milhões em títulos perpétuos denominados em dólar da Rede Energia despencou 334 pontos-base nos últimos 30 dias
Energia elétrica

A empresa está em busca de um “sócio estratégico” para comprar uma participação minoritária ou controladora

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São Paulo - A Rede Energia SA vem registrando ganhos no mercado de dívida com seu presidente do conselho e acionista controlador, Jorge Queiroz de Moraes Jr., tentando vender toda ou parte de sua participação.

A taxa dos US$ 496,6 milhões em títulos perpétuos denominados em dólar da Rede Energia despencou 334 pontos-base nos últimos 30 dias, para 13,31 por cento ontem, mais que qualquer outro título corporativo brasileiro na divisa americana, com exceção dos papéis da Lupatech SA, segundo dados da Bloomberg. O custo de captação para empresas latino- americanas com a mesma nota de crédito CCC da Rede Energia caiu 28 pontos-base, ou 0,28 ponto percentual, para 12,09 por cento no mesmo período, segundo dados do Credit Suisse Group AG.

A empresa está em busca de um “sócio estratégico” para comprar uma participação minoritária ou controladora, disse Queiroz ontem em entrevista por telefone de São Paulo. Investidores apostam que a saída de Queiroz, de 66 anos, vai permitir que a nova administração eleve a posição de caixa da Rede Energia para poder pagar o serviço de sua dívida e aproveitar o crescimento do consumo de eletricidade no País. Em setembro, a empresa de capital fechado tinha R$ 78 milhões em caixa e equivalentes, contra R$ 497 milhões em dívidas de curto prazo, segundo a Fitch Ratings.

“Os rumores são a única razão” para a queda nas taxas, disse Jansen Moura, analista de títulos da BCP Securities, em entrevista por telefone do Rio de Janeiro. “Os números da companhia são terríveis. Ela passa por um período bem apertado de liquidez. A única forma para a Rede não dar calote no médio prazo é encontrar um comprador.”

Dívida líquida

O jornal Valor Econômico disse em 7 de dezembro que Queiroz pretende vender sua participação na companhia.


Os títulos da empresa pagam 8,68 pontos percentuais a mais do que a dívida pública com vencimento em 2041, comparado a 11,88 pontos percentuais há um mês, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Queiroz disse não saber as razões para a disparada nos títulos da Rede Energia e acredita que possa ser por causa da perspectiva de capitalização da companhia. Ele disse também que a Rede Energia contratou o Banco Bradesco SA para assessorar uma possível venda. Queiroz negou-se a fazer comentários sobre a especulação de que uma nova administração poderia melhorar a posição de caixa da empresa.

Endividamento

A Rede Energia teve dívida líquida entre 3,3 e 3,4 vezes o lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações -- uma medida de fluxo de caixa conhecida como Ebitda -- no terceiro trimestre, disse Mauricio Aquino Halewicz, do departamento de relações com investidores da companhia, em entrevista por telefone ontem de São Paulo. A controladora, que recebe recursos das nove subsidiárias de distribuição, não tem geração própria de caixa.

“Uma possível transação de fusão ou aquisição com um parceiro mais forte ou mesmo estrangeiro poderia tratar de riscos de crédito chave da Rede Energia”, escreveram Felipe Leal, Diego Moreno e Alessandro Arlant, analistas do Bank of America, em relatório a clientes em 7 de dezembro. A venda da fatia de Queiroz “poderia ser um desdobramento positivo para os detentores de títulos” da Rede Energia, escreveram eles.

Os analistas do Bank of America negaram-se a fazer comentários quando contatados pela Bloomberg News.

A Rede Energia, cujas subsidiárias fornecem eletricidade para 4,7 milhões de pessoas, precisa de mais investimentos para aproveitar a demanda de energia, que cresceu pelo 23º mês consecutivo em outubro, disse Juan Cruz, analista de dívida corporativa do Barclays Plc. Apesar de o governo brasileiro deter participação indireta na Rede Energia por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, a empresa não recebe investimento como a Centrais Elétricas Brasileiras SA, disse ele.

“Controle familiar”

Um assessor de imprensa do BNDES no Rio de Janeiro, que pediu para não ter o nome revelado em obediência à política interna, se recusou a fazer comentários para esta reportagem. O BNDES detém 16 por cento do capital total da Rede Energia, enquanto Queiroz é dono de 54 por cento.


“O fato de a Rede Energia ter controle familiar significa que não é tão forte quanto, por exemplo, um ativo da Eletrobras, que é diretamente ligado ao governo”, disse Cruz em entrevista por telefone de Nova York. “É preciso um patrocinador com capital para colocar dinheiro em uma empresa como esta, que é intensiva em capital, mas tem a compensação de gerar receita ao longo dos anos. A Rede Energia tem esses investimentos em distribuidoras e sobrevive por meio dos dividendos.”

Em 11 de novembro, a Fitch rebaixou a nota de crédito da Rede Energia de B- para CCC, sete níveis abaixo do grau de investimento, citando o aumento na dívida de curto prazo e a baixa liquidez. A nota CCC está quarto níveis acima do calote.

“Eles têm uma dívida que cria custos financeiros bem pesados”, disseram Renata Pinho e Mauro Storino, analistas da Fitch, em entrevista por telefone de São Paulo em 14 de dezembro. “Olhando para o Ebitda e o custo da dívida nos últimos cinco períodos, o custo da dívida está aumentando em proporção maior.”

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