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Vitória no leilão de Jirau derruba ações da Tractebel na Bovespa

PUBLICADO EM: 22.1.12 | 18H15
Para analistas, postura agressiva deve gerar um retorno financeiro menor que o custo de capital dos vencedores
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A agressividade dos vencedores do leilão da usina hidrelétrica de Jirau, nesta segunda-feira (19/5), não foi bem recebida pelo mercado. Para superar o grupo favorito, liderado pela Odebrecht e por Furnas, o consórcio encabeçado pela Camargo Corrêa, Suez e Chesf propôs um preço de 71,40 reais por megawatt/hora para o mercado cativo.

O valor é 21,5% menor que o preço-teto do leilão, de 91 reais. Para os analistas, a cifra coloca em dúvida o potencial de retorno aos sócios. "Consideramos que, nas atuais condições, o projeto de Jirau será um destruidor de valor, à medida que o retorno nominal estimado para a usina se situa abaixo do custo de capital das empresas participantes", afirma relatório da corretora Ativa.

De acordo com a Ativa, com o preço de 71,40 reais oferecido pelos vencedores, a taxa interna de retorno do projeto ficará em 7,4% ao ano. Para o cálculo, a corretora considerou que a energia será negociada no mercado livre por 120 reais por MWh. Segundo a Ativa, ela será menor que o custo financeiro dos participantes.

O custo médio ponderado de capital (WACC, na sigla em inglês) da Tractebel, por exemplo, é de 11,3% ao ano. "Acreditamos que, em especial, a Tractebel terá suas ações penalizadas pelo resultado do leilão no curto prazo", afirma a corretora. A Ativa vai revisar o preço-alvo das ações, atualmente em 30,71 reais para dezembro.

O descontentamento dos investidores já repercute na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Por volta das 15h50, as ações ordinárias da Tractebel (TBLE3) apresentavam uma forte queda de 2,56%, cotadas a 23,90 reais. Em contraste, o Ibovespa, principal indicador do pregão, subia 0,35%, marcando 73.025 pontos. A Tractebel é controlada pelo grupo Suez, que lidera o consórcio vencedor de Jirau. A Suez detém 50,1% do consórcio, ao lado da Camargo Corrêa (9,9%), Eletrosul (20%) e Chesf (20%).


Outro sinal de que o mercado não estava disposto a premiar os vencedores do leilão a qualquer preço é a alta das ações da Cemig. As ações preferenciais da companhia (CMIG 4), que compõem o Ibovespa, subiam 2,56% no meio da tarde, negociadas a 37,95 reais. A companhia mineira era parceira da Odebrecht no consórcio apontado como favorito.

As duas empresas, ao lado de Furnas, já haviam arrematado a usina de Santo Antonio, primeira hidrelétrica do rio Madeira, no final do ano passado. Na ocasião, ofereceram um preço de 78,87 reais por MWh no mercado cativo, o que representou um deságio de cerca de 35% sobre o preço-limite de 120 reais determinado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

No último mês, muitos analistas davam como certa a vitória da Cemig e de seus sócios no leilão desta segunda-feira. Pesavam a favor do grupo o fato de já terem conquistado Santo Antônio. Isso, segundo os especialistas, lhes daria grandes sinergias para tocar as obras em paralelo. Outro fator seria o grande conhecimento acumulado durante o projeto. A Odebrecht, ao lado de Furnas, foi responsável pelas pesquisas sobre o potencial energético do rio Madeira.

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