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A fintech brasileira que terá R$ 1,5 bi em fundo liderado pelo Goldman

PUBLICADO EM: 19.4.21 | 13H42
ATUALIZAÇÃO: 19.4.21 | 13H53
Open Co, resultante da fusão da Geru com a Rebel, está levantando capital por meio de um FDIC em operação liderada pelo banco americano de investimento

Resumo do investidor

1. O Brasil é um dos países onde o crédito é mais caro no mundo 2. Mas uma geração de fintechs busca quebrar esse paradigma 3. É o caso da Open Co, que oferece crédito sem garantia com base em inteligência artificial, reduzindo o risco de perdas

Rafael Pereira, cofundador da Open Co e ex-CEO da Rebel

Rafael Pereira, cofundador da Open Co, a maior fintech de concessão de crédito sem garantia do país

Imagem da Editoria Exame Invest
Da Redação

Repórter da Exame



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Da Bloomberg: A Open Co, uma fintech brasileira especializada em empréstimos sem garantia para pessoas físicas, está levantando 1,5 bilhão de reais por meio de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) liderado pelo Goldman Sachs (GS).

O banco de investimento Wall Street está fornecendo 1 bilhão de reais e o restante virá de investidores locais, de acordo com Raphael Zagury, diretor financeiro da Open Co. Os recursos ajudarão a empresa a voltar a crescer novamente depois que as consequências da pandemia do Covid-19 forçaram uma redução nos empréstimos, disse ele.

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Fundada no início deste ano, a Open Co é resultante da fusão da Geru, que oferece crédito para “pessoas físicas mais estabelecidas”, com a Rebel, que concede empréstimos a jovens brasileiros com base em um modelo que alia inteligência artificial a educação financeira.

Ambas as empresas tiveram que reduzir as ofertas de crédito em cerca de 50% em março e abril de 2020, já que as taxas de inadimplência nas primeiras prestações dos empréstimos dobraram para 10%.

“Conseguimos conter o sangramento”, disse o diretor financeiro de 44 anos, acrescentando que os modelos de crédito das empresas se mostraram adequados e as taxas de inadimplência voltaram a 4%.

Muitos brasileiros têm sofrido para pagar dívidas em meio à pandemia de Covid-19, que fez o desemprego atingir um recorde de 14,3 milhões de pessoas, sem considerar os 5,9 milhões que pararam de procurar trabalho. Muitas das maiores fintechs do Brasil estão se consolidando em resposta a essa situação.

“Nosso principal desafio agora é voltar a crescer”, disse Zagury.

A Geru e a Rebel já emprestaram um total de cerca de 1,5 bilhão de reais para aproximadamente 100 mil clientes, e a meta é fornecer 1 bilhão de reais em crédito neste ano, disse Zagury. A Open Co tem 170 funcionários e planeja contratar mais 80 neste ano.

O FIDC de 1,5 bilhão de reais vai comprar recebíveis da Open Co em uma operação semelhante a uma securitização. O Goldman Sachs está comprando a cota sênior do fundo, e a Open Co, junto com outros investidores, ficará com a camada mezanino, um híbrido mais arriscado de dívida e capital.

A Open Co, que recebeu cerca de 150 milhões de reais em capital em março do Goldman Sachs e da International Finance Corp., braço financeiro do Banco Mundial, usa inteligência artificial para analisar crédito. O objetivo é oferecer empréstimos mais baratos e atingir os brasileiros que não são atendidos pelo sistema bancário tradicional, disse Zagury.

Fundos de private equity e venture capital investiram 10,7 bilhões de reais em empresas brasileiras no primeiro trimestre deste ano, sendo a maior parte, 24%, destinada a empresas do setor financeiro, segundo a KPMG e a ABVCAP, associação do setor.

O Brasil tinha 876 fintechs no final do ano passado, segundo o Inside Fintech Report, levantamento do Distrito Dataminer.

“Como próximo passo, além de crescer o crédito pessoal, a gente já está olhando para um lado, olhando para o outro, pois há uma oportunidade gigantesca de aquisição,” disse Zagury. “Tem muito empresa boa -- com tecnologia de ponta, pessoas boas, estrutura boa -- que não está capitalizada neste momento.”

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