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Tesouro Direto em janeiro: queda ampla, mas veja os títulos que renderam

PUBLICADO EM: 30.1.21 | 7H20
ATUALIZAÇÃO: 30.1.21 | 0H57
Dos 26 títulos negociados no mercado, 21 tiveram desempenho negativo no mês. Ambiente de incerteza deixou os investidores mais receosos quanto ao futuro
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Falta de perspectiva para a recuperação da economia criou clima de instabilidade para os investimentos (Getty Images/iStockphoto)

Foto de Bianca Alvarenga da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Bianca Alvarenga

Repórter especializada em finanças pessoais e investimentos, passou pelas redações de Veja, Folha de S. Paulo e 6 Minutos.



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As idas e vindas sobre a compra e a distribuição de vacinas contra a covid-19, os embates políticos envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso e a mudança no cenário de juros criaram um ambiente de incerteza para os investimentos brasileiros. Nem mesmo os títulos do Tesouro Direto, considerados os mais seguros do mercado, saíram ilesos do clima de instabilidade em janeiro.

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Dos 26 títulos negociados no mercado, 21 tiveram rendimento negativo no mês. Veja abaixo o desempenho do Tesouro Direto em janeiro:

TítuloRendimento em janeiro (em %)Rendimento em dez (em %)Rendimento em 12 meses (em %)
Tesouro prefixado com juros semestrais 2025-1,853,435,17
Tesouro prefixado com juros semestrais 2027-2,314,563,72
Tesouro prefixado com juros semestrais 2029-3,294,932,06
Tesouro prefixado com juros semestrais 2031-3,706,18-
Tesouro Selic 20210,170,162,57
Tesouro Selic 20230,190,252,37
Tesouro Selic 20250,190,452,06
Tesouro IGPM+ com juros semestrais 20213,32-0,6227,52
Tesouro IGPM+ com juros semestrais 20315,75-1,5327,40
Tesouro IPCA+ 2024-0,382,167,51
Tesouro IPCA+ 2026-1,453,70-
Tesouro IPCA+ 2035-2,608,713,24
Tesouro IPCA+ 2045-5,1913,960,01
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2024-0,281,987,42
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2026-1,103,186,67
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2030-1,874,72-
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035-1,976,264,75
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2040-2,266,27-
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045-2,345,800,06
Tesouro prefixado 2022-0,240,606,25
Tesouro prefixado 2023-1,081,615,89
Tesouro prefixado 2025-2,444,073,72
Tesouro prefixado 2026-2,875,09-
Tesouro prefixado com juros semestrais 2023-0,791,505,89
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2050-2,866,41-1,12
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055-3,887,04-

Títulos que tinham registrado um desempenho excepcional em dezembro, como o Tesouro IPCA+ 2045, tomaram um tombo em janeiro. Na prática, isso significa que quem embarcou nesses títulos no momento de euforia, na reta final de 2020, está vendo o valor do investimento encolher. Na época, o rendimento dos títulos foi empurrado pela perspectiva de chegada das vacinas e de recuperação iminente da atividade econômica.

Além da frustração de expectativas quanto à imunização da população, outros fatores causaram uma mudança nos ventos do mercado.

"A eleição da presidência do Congresso e a postura mais vigilante do Banco Central quanto à infllação mexeram com a curva longa de juros, o que afeta todos os títulos do Tesouro", explica Guilherme Artmann, chefe de renda fixa da corretora Easynvest.

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Ele diz que o clima de incerteza faz com que os investidores exijam desconto maior ao comprar esses títulos, o que derruba os valores na marcação a mercado. Marcação a mercado é o nome dado para a precificação dos títulos na negociação secundária.

Como não é possível resgatar uma aplicação do Tesouro Direto antes do prazo, quem quiser se desfazer desses títulos deve vendê-los para outro investidor. O valor da venda é determinado diariamente e é influenciado por fatores de mercado, como os juros e o ambiente de risco. No entanto, se optar por carregar o título até o vencimento, o investidor receberá o rendimento contratado no momento da aplicação.

"É por isso que os títulos mais longos sofreram mais em janeiro. Quanto mais distante o prazo de resgate, maior a incerteza e maior o prêmio de risco exigido por quem compra", explica o chefe de renda fixa da Easynvest.

Juros no radar

Embora tenha decidido manter os juros em 2% ao ano, o Banco Central disse que está observando o comportamento da inflação. A autoridade monetária não descarta uma alta na taxa Selic para conter o avanço dos preços ao consumidor nos próximos meses, o que deixou o mercado contando com um aumento de juros mais cedo que o esperado. Em vez do meio do ano, há analistas que preveem alta em março ou maio.

"A sinalização do BC fez a curva ficar menos inclinada, mas, para haver um ambiente mais estável, é preciso que as vacinas venham e que o governo consiga colocar os gastos em dia", observa Artmann. Até que isso aconteça, é possível que os títulos sigam com uma trajetória de volatilidade.

As discussões sobre a renovação do auxílio emergencial para conter os efeitos negativos da pandemia na economia também deixaram os investidores mais pessimistas com o cenário de curto e médio prazo. Até mesmo títulos de negociação mais estável, como as LFTs (Tesouro Selic), estão variando mais que o normal, o que assustou investidores mais conservadores.

Foto de Bianca Alvarenga da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Bianca Alvarenga

Repórter especializada em finanças pessoais e investimentos, passou pelas redações de Veja, Folha de S. Paulo e 6 Minutos.


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