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Por que o pequeno investidor perde em rentabilidade para o milionário?

PUBLICADO EM: 14.3.21 | 8H00
ATUALIZAÇÃO: 13.3.21 | 17H37
Investimentos de ultrarricos renderam, em média, 46,5% a mais do que os de quem é considerado de varejo em 2020, revela pesquisa da plataforma SmartBrain

Rentabilidade de investidores com patrimônio acima de R$ 50 milhões foi muito superior ao de quem tem menos de 300 mil reais (Getty Images/iStockphoto)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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Embora o mercado financeiro venha se tornando cada vez mais acessível para investidores com poucos recursos, ainda há um abismo entre a rentabilidade do pequeno e do grande investidor. 

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Uma pesquisa feita pela plataforma de controle de investimentos SmartBrain revelou que, em 2020, o retorno médio de investidores com mais de 50 milhões de reais em patrimônio (categoria conhecida como ultra high) foi 46,5% superior ao daqueles que tinham menos de 300 mil reais (o chamado investidor de varejo).

No ano passado, investidores ultra high tiveram rentabilidade média de 4,63%, enquanto os de varejo, 3,16%. Investidores de alta renda (de 300 mil a 3 milhões de reais de patrimônio) e private (de 3 milhões a 50 milhões de reais de patrimônio) tiveram retornos de 3,94% e 4,29%, respectivamente. 

Supondo que as rentabilidades se mantivessem constantes, o investidor de varejo demoraria 7 anos a mais para conseguir dobrar seu patrimônio que o investidor ultra high. 

“É relevante a diferença do varejo para os outros segmentos, porque eles têm menor acesso a um assessor profissional, que pode fazer as melhores recomendações para o cliente”, explica Cassio Bariani, presidente da SmartBrain. 

Outro motivo que difere os retornos entre o nível de patrimônio é a oferta de produtos. Investidores com menos de 1 milhão de reais em investimentos, por exemplo, sequer podem investir em fundos de investimento no exterior por não serem classificados como “qualificados”.

Mas mesmo entre os “qualificados” há diferenciações, tendo em vista que alguns fundos, como os de private equity ou mesmo alguns dos mais renomados de ações, têm exigências de aplicação mínima que podem comprometer a estratégia de diversificação ou mesmo inviabilizar o aporte.

Os mais ricos também levam vantagem no custo dos produtos, proporcionalmente menores. “Um fundo que aceita aplicação inicial mínima a partir de 1 milhão de reais pode ter uma taxa de administração menor do que um em que a aplicação inicial é de 100 reais”, diz Bariani.

Além do acesso a mais e melhores produtos e profissionais dedicados, a maior concentração em renda variável também contribuiu para a melhor rentabilidade dos mais riscos, segundo a pesquisa. 

“As pessoas com maior patrimônio têm maior tolerância a perder dinheiro porque já dispõem de um 'colchão' que garante a tranquilidade. E para ganhar mais dinheiro tem que ter maior tolerância ao risco”, afirma Juliana Machado, analista de fundos de investimentos da EXAME Invest Pro. 

Vai ser sempre assim?

Embora a diferença de rentabilidade ainda seja significativa, a tendência é que ela diminua, com o maior acesso de pequenos investidores a produtos diferenciados e análises profissionais. Mas isso também depende de uma melhor educação financeira, comenta Machado.

“Produtos baratos e acesso a diferentes mercados não significam retornos maiores. Tem que ter disciplina, saber qual é o objetivo do investimento, em quanto tempo quer alcançá-lo e o nível de risco que irá tomar. O investidor pode ter 20 ativos na carteira e não saber o que está fazendo com ela.”

Por outro lado, pontua a especialista da EXAME Invest Pro, o pequeno investidor até pode optar por concentrar os recursos para ter acesso a um fundo originalmente pensado para investidores de maior poder aquisitivo, mais tradicional e mais barato. Mas os riscos também são maiores.

"Isso pode gerar um maior retorno no longo prazo. Alguns fundos (com aportes iniciais mais altos) se tornaram referência na indústria, como o Dynamo. Mas a pessoa vai estar exposta a um único risco. Uma pessoa que não tem um perfil agressivo provavelmente não vai conseguir aguentar as oscilações do fundo. Então é melhor nem entrar para não ter que pedir o resgate em seguida."

Machado conta que o próprio fato de o fundo ser mais inacessível pode significar maior risco. "Às vezes, a gestora mira esse tipo de investidor porque sabe que vai ter uma tolerância maior para poder atuar de forma mais arriscada."

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com


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