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Tem título privado na carteira que paga 99% do CDI? Veja o que fazer

PUBLICADO EM: 12.1.21 | 6H20
ATUALIZAÇÃO: 19.1.21 | 16H48
Vale a pena vender CRIs, CRAs e alguns títulos bancários que vencem em 2022 e 2023, pois devem render menos que a inflação, afirma analista
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Para ganhar da alta dos preços, será necessário um sacrifício temporário: o investidor terá de suportar uma perda de parte da rentabilidade (Getty Images)

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Marília Almeida

Repórter de Invest marilia.almeida@exame.com



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Você tem no seu portfólio de investimentos um Certificado de Recebível Imobiliário (CRI), um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) ou um título bancário que paga o equivalente a 99% do CDI e vence em até dois anos? Saiba que é melhor vendê-lo de forma a não perder para a inflação e ter um prêmio muito baixo pelo risco do título. É o que recomenda Odilon Costa, analista de renda fixa do BTG Pactual digital.

O rendimento desses títulos, vendidos até meados de 2019, foi afetado pela queda forte da taxa Selic, ao mesmo tempo em que a inflação voltou a subir. "Carregar esses títulos não faz sentido, pois eles não estão atendendo a nenhum requisito da renda fixa: estão perdendo para a inflação e o investidor está correndo risco de crédito, mesmo que seja de uma empresa triple A (nota de crédito), por um prêmio que é zero", afirma o especialista.

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Para ganhar da alta dos preços, será necessário um sacrifício temporário: ao vender o título, o investidor terá de suportar uma perda de parte da rentabilidade. Isso porque ativos que antes pagavam 99% do CDI são atualmente negociados a taxas bem superiores no mercado secundário.

A taxa de mercado de alguns títulos bancários e corporativos com esse perfil gira em torno de 130% a 150% do CDI dependendo do risco de crédito, do prazo e da liquidez. A taxa aumentou porque o interesse por esses títulos curtos caiu. Essa é uma característica de títulos: preço do título e sua remuneração no mercado são inversamente proporcionais.

Mas Costa esclarece que, ao adquirir outro título mais longo indexado à inflação, a perda será recuperada em questão de apenas alguns meses. "Muitas vezes o investidor vê a taxa de venda do título e se assusta. Mas o fato é que é necessário calcular para entender."

Como o tempo de recuperação é relativamente curto, Costa avlia como atrativa a oportunidade de estancar o retorno abaixo da inflação em um título curto com a compra de papéis mais longos.

Veja abaixo os cálculos que comparam as duas situações para quem tem um título de curto prazo que perde para o CDI:

Ficar investido no papel até o vencimento

Nesse caso, a remuneração até o vencimento será de 99% do CDI (taxa contratada). Considerando a curva de juros para um ano, o retorno esperado (2,96%) é muito baixo e não remunera nem a inflação esperada para o período (3,34%).

O cálculo da remuneração esperada corresponde a:

taxa referente ao prazo (duration) na curva de DI Futuro x % do CDI na compra x duration

2,99% x 99% x 1 ano = 2,96%

Vender o papel e comprar um título mais longo indexado à inflação

Nesse cenário, o investidor tem a opção de vender o papel a 140% do CDI para adquirir um título que paga IPCA + 4% ao ano. A perda com a venda será de aproximadamente 1,23% (diferença negativa entre o preço de mercado e o preço original do título).

O cálculo simplificado desse prejuízo temporário corresponde a:

taxa referente ao prazo (duration) na curva de DI Futuro x (% do CDI na compra – % CDI na venda) x duration
2,99% x (99% - 140%) x 1 ano = -1,23%

Ao adquirir um título mais longo com uma taxa maior (exemplo IPCA+ 4%), o carrego já líquido da “perda” no primeiro ano da nova operação será de IPCA + 2,77% (IPCA + 4,00% – 1,23%). Considerando a inflação projetada até o final do ano (3,34%), o valor perdido é recuperado em aproximadamente 2 meses.

O cálculo simplificado do tempo de recuperação do investimento com o alongamento é:

perda na venda do título %CDI / [taxa do título adquirido (carrego) + IPCA projetado no período] x 12 meses
1,23/(4%+3,34%) x 12 meses = 2 meses

A perda dependerá do prazo (duration) do título e da taxa de saída. Quanto maiores, maior será a perda. No caso de uma saída com taxa de até 160% do CDI e um prazo (duration) de 1 ano, a recuperação do rendimento deixado na mesa acontece em aproximadamente 3 ou 4 meses, assinala Costa. Veja abaixo os exemplos:

Perda esperada com a venda de um título curto comprado a 99% do CDI

Prazo (duration) - anos
Taxa venda (% CDI)0,501,001,502,00
130%-0,33%-0,93%-1,79%-2,80%
140%-0,44%-1,23%-2,37%-3,70%
150%-0,55%-1,52%-2,95%-4,60%
160%-0,65%-1,82%-3,52%-5,50%
170%-0,76%-2,12%-4,10%-6,40%

Tempo esperado de recuperação com a compra de um título longo (IPCA+) em meses

Carrego de 12 meses do título longo (IPCA+)
"Perda" na venda2,50%3,00%3,50%4,00%
-0,50%1,030,950,880,82
-1,00%2,051,891,751,63
-2,00%4,113,793,513,27
-3,00%6,165,685,264,90
-4,00%8,227,577,026,54

Retorno esperado até o vencimento

Prazo (duration) - anos
Título0,501,001,502,00
100% CDI1,06%2,99%5,83%9,22%
IPCA + 2,50%2,88%5,84%10,05%13,23%
IPCA + 3,00%3,12%6,34%10,82%14,30%
IPCA + 3,50%3,36%6,84%11,60%15,37%
IPCA + 4,00%3,61%7,34%12,38%16,45%

 

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