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Quer ser trader, mas não tem grana? Isto não é problema para Carol Paiffer

PUBLICADO EM: 20.4.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 22.4.21 | 17H37
CEO da Atom Educacional, listada na bolsa de valores, montou a primeira mesa de traders regulamentada no país
Carol Paiffer, CEO da Atom

Criada em 2016, mesa da Atom já tem 200 profissionais. Empresa já formou 40 mil alunos

Imagem da Editoria Exame Invest
Marília Almeida

Repórter de Invest marilia.almeida@exame.com



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Marília Yamassaki, 22 anos, começou a fazer faculdade de Economia e tinha uma bolsa de estudos no valor de 400 reais. Ela começou a buscar uma renda extra e conheceu os cursos de formação de traders da Atom. Investiu 3,4 mil reais durante alguns meses e começou a operar com o capital da empresa. Hoje, Marília ganha em média, 52,3 mil reais por mês com as operações, das quais a Atom fica com 20%.

Já o caminho do estudante Daniel Almeida, 28 anos, foi diferente. Empregado e ganhando um salário mínimo, ele aprendeu sobre as operações por conta própria, seja por meio de livros ou vídeos no YouTube, sem gastar nada. Após quatro anos, quando sua estratégia ganhou consistência, resolveu fazer uma avaliação para ser trader da empresa. Atualmente, ganha em média 20 mil reais por mês.

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Essas são apenas duas trajetórias dos mais de 200 traders que fazem parte da mesa da publicadora de materiais para o mercado financeiro. Criada em 2016, a Atom (ATOM3) foi fundada por dois irmãos, ambos administradores de empresas. Em março, a EXAME comprou uma fatia de 30% do negócio.

Carol Paiffer, atual CEO, e Joaquim Paiffer viram uma chance de crescer em um segmento inexplorado no país. "Nos Estados Unidos existem mais de 8 mil mesas. Aqui, somos a primeira regulamentada", conta Carol. Contudo, a empresa enfrentou um grande obstáculo para colocar o negócio de pé: a falta de profissionais no mercado. Então, os irmãos resolveram criar cursos com método próprio para suprir esse gap. Após passarem pela formação, ou caso tenham experiência, basta que os operadores provem o conhecimento que têm do mercado e atinjam resultados. Resultado: desde a sua criação a Atom já formou 40 mil alunos.

A empresa foi fundada em um cenário muito diferente do que vivemos. Em 2016, a Selic chegou ao patamar de 14,50% ao ano. Depois de sucessivas quedas atingiu, no ano passado, sua mínima histórica, o nível de 2% ao ano. O fim da "mamata da renda fixa", nas palavras de Carol, foi o grande impulso para tornar as operações na bolsa de valores atrativas e, consequentemente, o negócio dos irmãos Paiffer.

O resultado foi a aceleração do crescimento em 2020. "Na pandemia, muitas pessoas perderam seus empregos e aprenderam a duras penas que precisam ter mais fontes de renda. As pessoas também ganharam tempo. Se não precisam se deslocar mais até o trabalho elas têm tempo para ver aulas, se dedicar a uma formação. Como já tínhamos muito conteúdo, crescemos".

Veja abaixo a entrevista completa concedida por Carol Paiffer para a EXAME Invest.

Explique o negócio da Atom e como ele pode ajudar pessoas que se deparam com uma crise financeira como a que estamos vivendo.

Quando comecei a operar na bolsa eu não tinha acesso a simuladores. Para treinar, precisava investir dinheiro real. Então, não tinha muita grana para isso, e o mercado era repleto de financês. Hoje as pessoas têm a oportunidade de aprender de uma forma mais simples e didática. O caminho agora está pavimentado e com luz. Já oferecemos metade desse caminho. Os outros 50% depende da pessoa.

Nosso objetivo é treinar pessoas que não necessariamente tenham conhecimento do mercado financeiro para se tornarem traders da nossa mesa, sem risco de perda de capital para eles. Ou seja, ensinamos tudo o que precisam fazer para ganhar dinheiro no mercado, comprando e vendendo ativos ao longo do dia. Caso sejam aprovadas, a Atom disponibiliza o dinheiro da empresa para que usem em suas operações. Em troca ficamos com parte dos lucros gerados. Os repasses podem ser de até 90%. Às vezes essas operações duram minutos e até segundos.

Como operamos um volume alto, os traders conseguem ganhar dinheiro mais rapidamente, o que dispensa que fiquem realizando operações o dia todo.  Não somos uma bolsa de valores e não ganhamos corretagem sobre cada operação. Então, acreditamos que menos é mais. Não queremos que o trader opere várias vezes por dia. Queremos que surfe a onda e compre e venda a ação na hora mais oportuna.

Entre nossos traders temos donas de casa e dentistas. Então, estamos mostrando que qualquer pessoa é capaz de operar no mercado. Não precisa para isso ter formação em Harvard ou ser formado em uma escola cara. Não existe mercado mais meritocrático do que o da bolsa de valores. Não importa se você nasceu de família rica ou humilde. Seu sobrenome não tem peso nenhum na bolsa.

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Além disso, acreditamos que o mercado não aceita operadores arrogantes. Se você achar que sabe mais porque é formado em economia, o mercado mostra que não é bem assim. Entao, se alguém tem vontade de atuar no mercado e não tem grana, não tem problema. Usa nosso dinheiro e fica com a maior parte dos lucros. O objetivo dos nossos cursos é formar traders que operem na Atom. Mas mesmo que alguém não se torne nosso trader pode levar o conhecimento dos cursos para a vida e operar por conta própria.

Em 30 dias uma pessoa consegue se inscrever, treinar, testar nossa estratégia em um simulador com dinheiro de mentira e ver se funciona. Isso depende de treino e disciplina. O aluno não concorre com outras pessoas: é ele por ele mesmo. Bateu a nossa meta de ganho e respeitou nosso limite para perdas, está contratado. Em 48 horas o colocamos dentro do time, momento no qual ele tem acesso a uma subconta da mesa. Na empresa há a opção de ser trader em tempo integral. Quem faz parte da mesa sênior, que são algumas dezenas de profissionais, ficam fisicamente em nosso escritório de Sorocaba e vivem disso.

Como analisam o boom no mercado de ações e o fato de muitas pessoas buscarem renda extra como trader? O momento impulsiona os negócios da Atom, mas também fomenta golpistas no mercado. 

Hoje qualquer pessoa pode ser coach ou guru de investimentos. Nosso diferencial é que temos um método e levamos a sério o processo educacional. Temos pedagoga para validar o nosso plano de aulas, psicólogo e simulador. Nós ensinamos as pessoas literalmente do zero a operar no mercado por meio de um passo a passo prático.

Buscamos mostrar que não estamos aqui para vender uma ideia. No simulador já é possível constatar como a estratégia funciona na prática. Damos sete dias gratuitos, e na maioria dos treinamentos conseguimos estender o prazo para 15 dias. Aí cada aluno tira suas conclusões se é ilusão ou não. Damos um conhecimento para ele deixar de ser refém do gerente do banco, do vizinho ou do coach da internet.

Vocês dizem buscar uma linguagem acessível a todos, mas sabemos que o mercado financeiro tem um histórico pouco democrático neste sentido. Como conseguem ampliar esse acesso, e qual é hoje o perfil dos alunos da Atom?

Tenho aluno que era vendedor de frutas, e me disse que ele entendia o que era comprar barato para vender caro. Então, fazemos muitas analogias tomando como exemplo o dia a dia das pessoas. Por exemplo, caso alguém queira comprar um ingresso de show perto do dia do evento, ele será mais caro. Essas analogias são práticas e mostram que o mercado é para todos. E mostramos ferramentas simples, não com inúmeros itens. Que o aluno não precisa sair comprando quatro telas para operar, mas que consegue fazer isso com um notebook mais velho, com internet. Oferecemos tanto aulas gravadas como ao vivo. Temos um call todo dia às 8h30 que mostra aos alunos quais notícias são importantes e afetam o mercado.

É difícil ter um perfil de trader na Atom. Cada um tem o seu ritmo e foco. Tem gente que ganha 300 reais por dia e tem gente que ganha 5 mil reais. É heterogêneo. Tenho uma aluna dentista que tem 60 anos e opera na hora do almoço.

Você é uma influencer e tem um papel na busca por equidade de gênero no mercado. Vi que promove lives com alunas. Essas iniciativas vêm dando resultado? Quantos traders da Atom são mulheres?

Do total de alunos 40% são mulheres. Fizemos um trabalho grande para mostrar às mulheres que era possível operar. Já entre os traders da nossa mesa as mulheres não chegam a 10%. isso porque muitas mulheres entram no mercado com objetivos de longo prazo, e não para ser trader profissional.

As mulheres têm humildade que homens geralmente não têm, e usam isso a seu favor. Tanto que mulheres que operam na bolsa dificilmente quebram. Elas respeitam limites e não partem para o tudo ou nada. Se Trump vai falar, mas é para comprar a determinado valor e vender em outro, ela executa a estratégia. A agressividade é importante, e me beneficiei de ter meu irmão do lado. Mas é a consistência que mantém um trader operando no mercado.

Você e seu irmão foram agentes autônomos de investimentos. Como foi essa experiência, e por que viram a necessidade de criar a Atom? 

Meu irmão foi incentivado a operar na bolsa por um professor na faculdade. O dia em que que olhei para aquele monte de gráficos não pensei que era para mim. Mas quis estudar e aprender e vi que não era um bicho de sete cabeças.

Começamos estagiando em Campinas e apresentamos um projeto para mudar o jeito que o escritório trabalhava. Achávamos que ninguém entendia nada sobre bolsa, ficava perdido. Como não tivemos abertura para tocar o projeto, montamos nosso próprio escritório. Começamos um trabalho de formiguinha, que é deixar o mercado mais didático. A intenção era ter mais clientes, mas sabíamos que o mercado de corretagem ia, ao longo do tempo, se tornar mais concorrido e perder valor.

Tinhámos clientes grandes que não gostavam de correr risco e muitos aplicavam na renda fixa. Contudo gostávamos do risco e resolvemos fundar uma empresa para operar nosso próprio dinheiro, na qual meu irmão virou gestor. Contratamos traders e queríamos contratar mais. Começamos a promover campeonatos, mas não encontrávamos pessoas. Quem operava já estava nos bancos. Então, vimos a oportunidade de formar profissionais.

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Neste caminho tentei fazer parcerias com muita gente que dava cursos pela internet. Mas muitos ensinavam a operar sem mencionar a gestão de riscos. Então, os profissionais não sobreviviam. Aí resolvemos montar um sistema, que fomos aprimorando ao longo do tempo. Criamos um simulador em tempo real com dinheiro de mentira para verificar se o operador estava preparado para operar o nosso dinheiro.

Resolvemos ser listados na bolsa porque queríamos ter uma empresa onde os traders pudessem se tornar sócios. Caso quisessem sair do negócio, não precisariam vender a participação para mim: bastava que vendessem as ações no mercado. Víamos muito valor nisso. Então compramos os papéis de uma holding que entrou em recuperação judicial. Fizemos um IPO reverso. Dessa forma, nunca precisamos captar dinheiro no mercado. Conseguimos comprar 70% dos papéis, e 30% já estavam nas mãos de pessoas que não conhecíamos.

A Atom nunca fechou um ano com prejuízo. Cresce e tem caixa. Além de treinamentos para traders temos cursos para quem quer ser um agente autônomo, analista, e módulos voltados para mulheres e até crianças a partir de 10 anos. Temos livros publicados, podcasts e diversos outros tipos de conteúdo. Estamos nos transformando em um white label de conteúdos financeiros, e não apenas sobre o mercado financeiro.

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Marília Almeida

Repórter de Invest marilia.almeida@exame.com


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