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Tesouro IPCA de longo prazo pode perder para inflação; entenda

PUBLICADO EM: 21.2.21 | 8H30
ATUALIZAÇÃO: 20.2.21 | 18H26
Alta dos preços na economia tende a impactar negativamente rendimento de tais títulos do Tesouro Direto com prazo de vencimento superior a dois anos, aponta estudo
Seca e commodities puxam inflação

(Getty Images)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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O investidor que compra títulos do Tesouro IPCA+ costuma ter um objetivo: proteger seu patrimônio da inflação. Esse tipo de título oferece uma rentabilidade híbrida, que soma dois componentes: uma taxa prefixada e a variação da inflação no período medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Daí o nome IPCA+.

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O investidor que mantiver o título até sua data de vencimento embolsa o valor pré-acordado da taxa fixa mais a variação da inflação, sem prejuízos. Os vencimentos, a propósito, são variados e podem chegar a décadas de distância do momento atual. Há títulos hoje negociados na plataforma do Tesouro com vencimento em 2026, 2035 e 2045.

O risco fica nas mãos daqueles que não pretendem carregar o título de longo prazo até o vencimento -- esses investidores podem negociar o papel no mercado e estão sujeitos a enfrentar a volatilidade nos preços do ativo.

Nesses casos, a inflação joga a favor e contra o investidor. Por um lado, a parcela pós-fixada faz o título render mais quando a inflação sobe, o que aumenta os preços do Tesouro IPCA+ no mercado. 

No entanto o componente pré-fixado sofre os efeitos da alta do IPCA sobre a Selic, que pode anular os ganhos obtidos. Isso porque a inflação acumulada aumenta a expectativa de elevação da taxa de juros, causando um impacto negativo no preço desses ativos. 

Funciona assim: a taxa pré-fixada é calculada com base na perspectiva da taxa de juros. Se a Selic sobe, a taxa pré-fixada dos próximos títulos tende a ser maior do que a dos papéis já emitidos. Sendo assim, o investidor que comprou um título antes do aumento da taxa pode ver seu papel se desvalorizar frente aos que são emitidos após a alta da Selic.

Essa é a conclusão de um estudo conduzido pela casa de análise Spiti, que comparou a inflação com a rentabilidade dos títulos públicos indexados à inflação ao longo dos últimos cinco anos.

O estudo aponta que, quanto mais curto o vencimento de um ativo indexado ao IPCA, maior a sua correlação com a aceleração da inflação. Ou seja, se a inflação acumulada nos 12 meses anteriores está subindo, melhor tendem a performar esses papéis. A correlação entre a inflação e os títulos indexados à inflação é positiva quando os ativos têm um prazo de vencimento de dois anos ou menos.

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Já para títulos com vencimentos mais longos, a correlação entre inflação e preço do tesouro IPCA+ é inexistente ou levemente negativa. Isso significa que o preço desses ativos tende a cair quando a inflação acelera.

“Os títulos de curto prazo estão protegidos porque seu preço está mais associado à perspectiva de inflação do que à perspectiva de juros. Além disso, o impacto da inflação na Selic é algo que demora cerca de seis meses a um ano para efetivamente acontecer. Por isso o impacto é maior a longo prazo”, afirma Guilherme Cadonhotto, especialista em renda fixa da Spiti.

A solução seria, então, manter o ativo até o vencimento? Cadonhotto acredita que não. “Muitos investidores que buscam proteção contra a inflação não querem deixar o dinheiro investido por décadas. Normalmente a meta é proteger o capital por até um ano. Esse tipo de investidor deve escolher um Tesouro IPCA+ de curto prazo para não correr o risco de perder dinheiro”, diz.

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