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Investir em ações de bancos dos EUA é um bom negócio? EXAME Gavekal explica

PUBLICADO EM: 18.2.21 | 6H57
ATUALIZAÇÃO: 19.2.21 | 9H46
Mudança na dinâmica do sistema bancário do país, com maior atuação do Fed, levanta questões sobre o potencial de desempenho dos bancos americanos
Edifício do Federal Reserve em Washington, Estados Unidos

Federal Reserve: Edifício do banco central dos EUA em Washington (REUTERS)

Imagem da Editoria Exame Invest
Juliano Passaro

Repórter da Exame



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Muitas vezes os riscos de mercado são analisados pela curva de juros, que está relacionada diretamente à taxa de juros. A curva de juros, em suma, demonstra o aumento percentual dos rendimentos de uma aplicação em um título, durante um determinado período.

Segundo Tan Kai Xian, analista estatístico da Gavekal Research, a melhora das perspectivas econômicas e a inclinação da curva de juros dos EUA entre novembro e janeiro foram positivas para as ações dos bancos comerciais americanos. Esse é o tema de novo relatório da EXAME Gavekal Research.

Com a perspectiva de um retorno da economia ao normal ainda em 2021, à medida que a vacinação contra o coronavírus é feita em diversos países do mundo, os bancos estão mais dispostos a ampliar o crédito, segundo o especialista.

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Segundo uma pesquisa realizada em janeiro por executivos sêniores do setor de empréstimos do Federal Reserve, são poucos os bancos que estão restringindo seus padrões de crédito. Com isso, é bastante provável que haverá uma recuperação dos empréstimos bancários nos próximos trimestres.

A EXAME Gavekal Research é a parceria da casa de análises da EXAME com uma das mais respeitadas casas de análise macro independente do mundo.

Mas há um porém. Nos últimos 12 meses, as ações de bancos dos EUA não conseguiram superar o desempenho na curva de juros. Uma análise mais detalhada da mudança na dinâmica do sistema bancário da economia levanta questões sobre o potencial de desempenho dos bancos americanos no longo prazo.

"Se olharmos para o início da inclinação da curva de juros relacionada à pandemia em fevereiro do ano passado, torna-se aparente que os bancos americanos não apresentaram um desempenho superior", disse Tan Kai Xian.

O Federal Reserve tem desempenhado um papel importante no mercado de crédito dos EUA e, por isso, as ações dos bancos americanos tendem a não demonstrar o que ocorre na economia e no mercado, como era antigamente.

"A principal razão pela qual as ações dos bancos reagiram lentamente a essa inclinação da curva de juros é que elas têm sido cada vez mais excluídas dos mercados de crédito dos EUA pelas compras de ativos do Federal Reserve", afirma o analista.

"Se o Fed continuar a aumentar seu balanço a uma taxa mais rápida do que o crescimento de outras oportunidades de crédito, o que é provável, essa participação continuará crescendo, levando a retornos bancários decepcionantes à medida que a curva se inclina", destacou o especialista da Gavekal Research.

De acordo com o relatório da EXAME Gavekal Research, no longo prazo, as ações de bancos americanos provavelmente apresentarão desempenho inferior ao do mercado em geral. Isso porque o Fed segue planejando manter o ritmo de suas compras de ativos até que suas metas de inflação e emprego estejam visíveis.

Além disso, os investidores esperam que o Fed continue realizando um grande papel no mercado de crédito dos EUA, e, consequentemente, os bancos comerciais, um papel menor. Assim, o balanço dos bancos deverá ter a lucratividade abalada. A Gavekal, em seu relatório, apontou que pode ser interessante aos investidores procurararem outros investimentos para lidar com a curva de juros dos EUA.

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Juliano Passaro

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